A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida como uma língua natural, com estrutura gramatical própria, distinta das línguas orais-auditivas. Sua organização linguística envolve parâmetros específicos, como configuração de mãos, ponto de articulação, movimento, orientação e expressões não manuais, que desempenham funções equivalentes aos níveis fonológico, morfológico e sintático das línguas orais. Segundo Ronice Müller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp (2004), a Libras não é uma simples tradução do português, mas uma língua autônoma, estruturada a partir da modalidade visuoespacial. Essa característica implica uma forma distinta de organização do pensamento e de construção de sentidos, na qual a visualidade assume papel central no processo cognitivo e comunicativo.
Fonte: QUADROS, R. M. de; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.