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A pesquisa foi feita com base em meses de monitoramento e amostras analisadas em laboratório. "A gente encontrou, primeiro, coliformes fecais presentes na água. Depois, altos níveis de fosfato e nitrato, que são remanescentes de agrotóxicos", relata Gustavo Figueirôa, biólogo do SOS Pantanal. "A gente encontrou uma baixa oxigenação, que pode levar os peixes a uma mortalidade alta. Mas o principal, que é o carbendazim, uma substância que está proibida desde 2022 aqui no Brasil, mas tem pessoas utilizando os remanescentes nas lavouras. E ela é uma substância cancerígena, que pode causar infertilidade para seres humanos", explica.
O estudo inédito do SOS Pantanal revelou diferentes motivos para a contaminação do Rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna: manejo inadequado, má conservação do solo em áreas agrícolas e a falta de mata ciliar, que funciona como barreira para os resíduos.
O Rio Santo Antônio é afluente de uma importante bacia, ele desagua no Rio Miranda, que corta o Pantanal e também foi monitorado pelo instituto. O trabalho realizado ao longo de 1 ano identificou a presença de materiais químicos e orgânicos na água. Testes rápidos deram positivo para coliformes fecais, fosfato e nitrato e baixa concentração de oxigênio. "O Rio Miranda, assim como outros rios, que a gente mediu já no Pantanal, todos apresentaram uma qualidade da água muito ruim perto dos parâmetros da organização mundial da saúde. E isso impacta diretamente, não só a biodiversidade, mas nas pessoas que vivem no Pantanal e dependem dessa água para sobreviver", explica o biólogo.
O levantamento da Fundação Neotrópica do Brasil, em parceria com o Ministério Público do Mato Grosso do Sul, encontrou poluição em 5 rios da Bacia do Miranda, que está provocando turbidez em águas cristalinas. "Significa que a água está recebendo um volume de sedimentos maior do que deveria estar recebendo. Todos esses impactos somados vão resultar diretamente em uma mudança completa na qualidade desses rios. Desde a qualidade da aparência do rio quanto a contaminação com agrotóxicos com metais pesados", afirma Kwok Chiu Chueng, superintendente executivo da Neotrópica do Brasil.


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